domingo, 5 de julho de 2009

Há vontade onde há poesia
Não há certeza, está no espaço
Apenas sinta.
É música!
É magnético,
e sensorial.
Corre o risco de virar um hino de levante!
Que nada, a repressão é tão grande.
Mas enquanto anoitece em certas regiões,
aqui faz calor e muito mormaço.
E o relógio caminha, como a humanidade.
E vamos todos juntos, caminhando por um lugar ao sol.
Que nesse caso é uma cadeira.
Misture tudo isso...
É uma questão de acaso.
Encontros, vertigens, visagens.
E o que fazer?
É uma questão de, sabe lá, princípios?
Mais detalhes.
Detalhes sórdidos de um bocado de vozes.
Gritando e gemendo um bocado de vezes.
Amando em tortuosas linhas.
Ah, surrealismo.
Era tão simples quando não passava de verbo.
Ou do fio da memória?
Verbo não era, de fato.
Mas agora, fato consumado...
consumindo o que ainda me resta?
Nos meus poucos quase vinte.
Eu quis de verdade.
E quis.

domingo, 8 de fevereiro de 2009

É bom sim.
Você fará parte dele?
Ele é meu, mas posso dividi-lo.
É raso e fundo. É profundo e superfície.
É cheio de cores, de balançar de folhas, de ventos e sóis, todos os dias,
cheio de chuvas e de frios (nos quais nos aqueceremos).
É pequeno e infinito, vai ficando mais bonito toda vez que você aparece.
Queria te mostrar tudo isso, queria te mostrar o meu redor, o meu mundo.
Ele é maravilhoso, mas com você ficaria completo.

-

Assim se fez o raiar do sol. Te vi sorrindo, abriu o tempo.
Num descuido da minha falta de sorte, abriu uma brecha
... e você apareceu.
Será que é verdade? Ah, quem me dera fosse.
Um ser assim que trouxe paz, me fez querer amar como jamais se pudesse ter amado.
Quem sabe?
Quando me pareceu que tudo estava se perdendo, te vi passar.
Olha, que maravilha! Surpresas da vida!
Te li nas entrelinhas, me parece encantador.
Ah, quem sabe? Sei apenas que um dia eu hei de te conquistar.
Já que ja estou quase que conquistada. Ou totalmente?

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Depois continuo com os outros, Los Otros.

Espinhos na rua onde ele pisa
Espinhos no bairro onde ele mora
Espinhos em pedaços da minha vida
Eu os ignoro.
Sangram os dedos que me pertecem
Sangra dos lados que ainda me convencem
Sujos de água, foi tudo lavado
Nem roupa nem retalho
não sobrou nada
Nem mais caminho, nem mais atalho
É calçada branca
mãos vazias, cortadas pelos espinhos desse amor passante.

-

Como se fosse ser azul pra sempre
Assim, como se fosse em mim; ausente
Prepare-se pro sol e pra qualquer outro que vir
Em raios noturnos de uma paixão indescente
Ou em soluços roucos de um sopro carente
Te sinto ainda em mim, barba soprando no pescoço
[suplico]
A tua música ainda impregnada no meu corpo
[corro]
Te imagino meu, debaixo das minhas cobertas
Os meus devaneios se emvaidecem quando lembro-
de toda aquela tua cor [branca] de um dia branco
Ou então dos meus mais doces pecados [expostos]
De nada, de tudo. Do que vem, do que volta. Assim, qualquer hora
Enfim, meu sortilégio
Meu mais delicioso parêntese [excitante].

(Thaiz e Guta)

-

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Tens a mim, que sou o mesmo que nada.
Mesmo assim, tens a mim por inteiro, mesmo sem saber.
Tens meus olhos, que são cegos e nada vêem.
Mesmo assim, tens meu olhar profundo e apaixonado.
Tens minha alma, que é corrompida e pecadora.
Mesmo assim, tens minha essência que pode ser encantadora
Tens meu corpo, que já não é o mesmo da juventude
Mesmo assim, estou disposto a te fazer feliz e amar-te loucamente.
Tens todo o meu amor, que não é digno do teu perdão
Mesmo assim, é verdadeiro e de todo o coração.
Ai, como me dói não ser completamente tua.
Me doaria com corpo e com alma.
Seria tua, nua e crua, do jeito que tu me quisesses.
Seria tua até a minha última prece.
Te amaria até depois do teu último suspiro.
E quando tudo acabasse, sofreria minuciosamente se te visse
em outros braços.
É digno de risos ou de mais abraços? Esse poema infame.
Mas que, infelizmente, contém todos os meus traços

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Me conta o que aconteceu.
você não sorri mais.
antes te via reluzente, como um feixe de luz solar...
agora te vejo azul, como a áurea de melancolia do mar...
Te sei mais que tudo, menina, mas isso tá difícil de entender.
você é uma flor, com sabor suave, um cheiro de ar puro.
não fique triste, meu amor. a vida é pra ser degustada e não pra ser engolida.
não deixe descer goela abaixo os (des) sabores que encontrares.
sinta os gostos, por mais amargos que possam ser.
beije e ame, abrece e sinta, cultive e aqueça, caia e amorteça.
assim você aprende a ser auto-suficiente:
quem você mais tem é quem te mora, é você mesma.