Achados no acaso
Os sapatos e os laços
Se encontram e contaminam o ar do espaço
Se entrelaçam entre nós e fios tecidos a gosto
Se separam como duas metades de uma fruta já podre
Acabam perdidos no mundo
Um sem saída
O outro de cara no muro
Na dor são dois guerreiros
Sucumbidos no escuro
Se amam eternamente, mas um e outro já não são os mesmos
Se calam num vazio desgostoso
Erram em qualquer lugar
Deles sobram somente restos
O pés descalços e o emaranhado de cachos
sábado, 18 de setembro de 2010
sexta-feira, 17 de setembro de 2010
Deveria ter vindo ao mundo sendo flor.
Florescer na primavera, me apaixonar por beija-flores, sentir a terra nos pés, morrer antes de empalidecer.
Ou então gostaria de ter nascido nuvem.
Vagar pelo céu azul, derramar gotinhas na terra quente, parecendo um algodãozinho úmido expremido por dedos delicados.
E se eu tivesse nascido estrela?
Teria bilhares de anos brilhando, teria todos aos meus pés, seria a mais bela do céu.
Ainda se tivesse sido lua.
Seria refrão de canções, seria encanto nas lendas contadas de pai para filho durante muitas gerações.
Ah, mas queria eu ter sido Maria.
As Marias são bem mais decididas, são mulheres de força e grande capacidade intelectual.
Ou ainda melhor, ter sido Ana.
As Anas são doces e são azedas, são criaturas encantadoras e são tão suas, donas de si.
Mas não nasci nada disso, nasci assim, sendo eu.
Sou Thais e nem faço força. Vejo o mundo com muita miopia e astigmatismo, invento quando não sei e quando tenho preguiça ouço como um surdo ouve. Sou baixa e gorda, mas sou feliz. E as vezes tenho vontade de ir embora e ligar um foda-se bem grande.
Florescer na primavera, me apaixonar por beija-flores, sentir a terra nos pés, morrer antes de empalidecer.
Ou então gostaria de ter nascido nuvem.
Vagar pelo céu azul, derramar gotinhas na terra quente, parecendo um algodãozinho úmido expremido por dedos delicados.
E se eu tivesse nascido estrela?
Teria bilhares de anos brilhando, teria todos aos meus pés, seria a mais bela do céu.
Ainda se tivesse sido lua.
Seria refrão de canções, seria encanto nas lendas contadas de pai para filho durante muitas gerações.
Ah, mas queria eu ter sido Maria.
As Marias são bem mais decididas, são mulheres de força e grande capacidade intelectual.
Ou ainda melhor, ter sido Ana.
As Anas são doces e são azedas, são criaturas encantadoras e são tão suas, donas de si.
Mas não nasci nada disso, nasci assim, sendo eu.
Sou Thais e nem faço força. Vejo o mundo com muita miopia e astigmatismo, invento quando não sei e quando tenho preguiça ouço como um surdo ouve. Sou baixa e gorda, mas sou feliz. E as vezes tenho vontade de ir embora e ligar um foda-se bem grande.
O ovo, meu ex-ovo.
Acho que é nova de novo
Mesmo ainda sendo a mesma
Como se saisse de vez de dentro do ovo.
Ainda que não quisesse estaria de fora, vendo tudo ao redor, mudando sempre de ideia.
Vendo tudo ir embora, vendo tudo voltar de onde nem se sabe.
Vendo os encaixes passados com todas as peças erradas.
Não se sabe de onde veio essa vontade de nada, mas sabe-se que dela nascerão as novas verdades...
verdades de alguém que antes não se importava com tudo e que agora se preocupa com nada.
Verdades essas que se tornam tolas, já que vem de alguém que mal quebrou sua casca do ovo e já põe asas de fora e quer gritar por seus direitos de ser vivo. Já pensou?
Já. Quem já saiu do ovo já pensou e muito nisso, já passou por isso. Quem diria, ahn? Que um dia um ser pequeno desse pudesse ser assim tão grande, sujo, gordo, cheio de pecados, cheio de rancores, cheio de coisas que não o perturbavam dentro do ovo.
Gostaria de não sair da minha casca. Tudo era tão bom e amarelo lá dentro que penso que, talvez, o paraíso seja desse jeito. Bom e amarelo.
Adeus ovo.
Mesmo ainda sendo a mesma
Como se saisse de vez de dentro do ovo.
Ainda que não quisesse estaria de fora, vendo tudo ao redor, mudando sempre de ideia.
Vendo tudo ir embora, vendo tudo voltar de onde nem se sabe.
Vendo os encaixes passados com todas as peças erradas.
Não se sabe de onde veio essa vontade de nada, mas sabe-se que dela nascerão as novas verdades...
verdades de alguém que antes não se importava com tudo e que agora se preocupa com nada.
Verdades essas que se tornam tolas, já que vem de alguém que mal quebrou sua casca do ovo e já põe asas de fora e quer gritar por seus direitos de ser vivo. Já pensou?
Já. Quem já saiu do ovo já pensou e muito nisso, já passou por isso. Quem diria, ahn? Que um dia um ser pequeno desse pudesse ser assim tão grande, sujo, gordo, cheio de pecados, cheio de rancores, cheio de coisas que não o perturbavam dentro do ovo.
Gostaria de não sair da minha casca. Tudo era tão bom e amarelo lá dentro que penso que, talvez, o paraíso seja desse jeito. Bom e amarelo.
Adeus ovo.
segunda-feira, 5 de julho de 2010
Impulsionando a cuca
Eu já não sei mais contar
Os números a minha volta, os suspiros que me provocam
Cheiros, devaneios
Tudo aparece e cresce
De volta ao nada, numa estaca zerada
Parando de um jeito, que é melhor parar
Assim tudo dá volta e torna a girar
Com os olhos tontos, a boca seca
Os sentidos todos em manifesto
a vontade, o desejo, um arrepio, a hesitação
Agora tudo se mistura, o que não, se segura
E torna a caminhar.
Os números a minha volta, os suspiros que me provocam
Cheiros, devaneios
Tudo aparece e cresce
De volta ao nada, numa estaca zerada
Parando de um jeito, que é melhor parar
Assim tudo dá volta e torna a girar
Com os olhos tontos, a boca seca
Os sentidos todos em manifesto
a vontade, o desejo, um arrepio, a hesitação
Agora tudo se mistura, o que não, se segura
E torna a caminhar.
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
Sem pecado censurado
Já não tem mais pecado
nem mais censura
foi tudo escrachado
e acabou o mistério
e agora, por onde anda a cura?
que desapego é esse que não quer existir?
é muito triste ter que deixar morrer
deixar de regar as plantas
deixar de querer...
quando se o que mais quer é ser quisto.
nem mais censura
foi tudo escrachado
e acabou o mistério
e agora, por onde anda a cura?
que desapego é esse que não quer existir?
é muito triste ter que deixar morrer
deixar de regar as plantas
deixar de querer...
quando se o que mais quer é ser quisto.
terça-feira, 12 de janeiro de 2010
Ele não me vê
Não faço mais sentido
O s dois últimos seres apaixonados já não são
Não desejam mais um ao outro
Estão em direções opostas com outros pensamentos
As coisas que faziam juntos já não tem mais cor
Vejo casais que se amam em volta
E mesmo acompanhada, me sinto só.
Espero que passe, que seja fácil de resolver.
Espero. Essa sempre foi minha sina, esperar pra ver...
Não faço mais sentido
O s dois últimos seres apaixonados já não são
Não desejam mais um ao outro
Estão em direções opostas com outros pensamentos
As coisas que faziam juntos já não tem mais cor
Vejo casais que se amam em volta
E mesmo acompanhada, me sinto só.
Espero que passe, que seja fácil de resolver.
Espero. Essa sempre foi minha sina, esperar pra ver...
terça-feira, 15 de setembro de 2009
(?)
Quase deixamos passar...
O que nos resta é o que não é
E deixar de ser o que já fomos
Viver o novo, além do provável
Além de tudo e todos
Quase do inimaginável
E toda a franqueza que existe na Terra
Amar por ser sincero, amar por estar pronto
Por cada dia
Sem desespero
Pelas flores mortas, pelo desejo
A qualquer segundo tudo passa
E é intenso o presente
Basta que se queira...
Que se ame e se deixe consumir cada pedaço do ser.
O que nos resta é o que não é
E deixar de ser o que já fomos
Viver o novo, além do provável
Além de tudo e todos
Quase do inimaginável
E toda a franqueza que existe na Terra
Amar por ser sincero, amar por estar pronto
Por cada dia
Sem desespero
Pelas flores mortas, pelo desejo
A qualquer segundo tudo passa
E é intenso o presente
Basta que se queira...
Que se ame e se deixe consumir cada pedaço do ser.
Assinar:
Postagens (Atom)